O escudo viking tem um paradoxo no seu âmago: era o equipamento mais indispensável do guerreiro, e o mais descartável. Fino, leve, feito para aguentar e depois partir-se, protegia ao sacrificar-se.
Madeira macia, e é intencional
Os escudos redondos encontrados — nomeadamente os sessenta e quatro exemplares do navio de Gokstad, na Noruega — são feitos de tábuas finas de tília ou amieiro, pouco reforçadas, com um umbo, a saliência de ferro central, que protege a mão. Um escudo deste tipo não trava os golpes: ele “come-os”, racha, imobiliza a lâmina ou o machado adversário durante um instante decisivo. Usavam-se vários numa mesma batalha.
Cores, quase um brasão
Os escudos de Gokstad eram pintados, alternados em preto e amarelo, e fixados ao longo do navio. A cor não era decorativa por acaso: identificava, unia, impressionava. Tocamos aqui nas origens longínquas daquilo que a Idade Média chamará de heráldica.
E as mulheres no combate?
A questão agita a arqueologia. O túmulo de Birka, conhecido como Bj 581, durante muito tempo apresentado como o de um guerreiro de elite rodeado pelas suas armas, revelou-se em 2017, através de análise de ADN, ser o de uma mulher. O debate permanece aberto sobre o seu papel exato — mas a guerreira nórdica já não é apenas uma questão de sagas.
Os nossos escudos vikings retomam a forma redonda e o umbo central.



