No imaginário, o guerreiro viking empunha uma espada. No terreno, segurava muito mais frequentemente um machado — e isso não é um detalhe. A espada era cara, exigia quilos de ferro e um ferreiro experiente; poucos homens possuíam uma. O machado, esse, era a ferramenta de cada quinta: rachava-se a lenha com ele, transportava-se à cintura, voltava-se contra o inimigo quando chegava o dia. É a arma do camponês livre, do bóndi, e é precisamente isso que o tornou emblemático.
Uma família de ferramentas que se tornaram armas
Nem todos os machados vikings são iguais. O pequeno machado de arremesso e o machado de barba — cujo gume desce para prender um escudo ou um braço — serviam para o combate corpo a corpo. No outro extremo, o breiðøx, o «machado largo» dinamarquês de duas mãos que surgiu no final da era viking, podia fender um elmo: é este que os housecarls empunham na tapeçaria de Bayeux, por volta de 1070.
Quando o machado se torna objeto de aparato
Alguns nunca foram destinados ao combate. O machado de Mammen, descoberto num túmulo dinamarquês do século X, está incrustado com fios de prata formando entrelaçados animados por aves e folhagens — um objeto de prestígio, enterrado com um homem de alto estatuto. Recorda que, entre os escandinavos, uma arma podia também ser uma assinatura social.
E o mito dos cornos?
Uma palavra para acabar com uma ideia feita: nenhum machado — nem nenhum capacete — viking era adornado com cornos. Esta imagem vem do século XIX, dos trajes de ópera e do imaginário romântico, não das escavações arqueológicas. O verdadeiro machado viking é sóbrio, funcional e, por isso, ainda mais impressionante.
Os nossos machados vikings retomam estas formas históricas, desde o machado de barba até ao grande machado de batalha.



